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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Portugal Avisado Pelo S&P Sobre Possível Degradação do Rating de Crédito

De acordo com o Wall Street Journal [1], a agência de rating Standard & Poors baixou o outlook do crédito do governo de Portugal de "estável" para "negativo" alegando a deterioração das finanças públicas.

Assim sendo, existe a possibilidade de Portugal - que há muito tempo tem um rating de A+ - ver o seu rating downgraded se o seu défice se mantiver alto, o seu crescimento se mantiver fraco, e os encargos com a dívida continuarem a aumentar.

É verdade que a agência Standard & Poors ficou muito mal na questão do rating de CDO (Collateral Debt Obligations) de empréstimos relacionados com o subprime nos EUA [2]. O facto é que um downgrade do rating da crédito de Portugal significará um aumento dos encargos com a dívida pública que continua a crescer sem parar.

Referências:

terça-feira, 3 de novembro de 2009

8% De Défice Em 2009 E 2010

A Comunidade Europeia anunciou hoje, dia 3 de Novembro de 2009, que prevê um défice orçamental para Portugal de 8% em 2009 e 2010 que se pode agravar para 8,7% em 2011. [1] Este valor é o pior valor desde que Portugal vive em Democracia há 24 anos!

Entre outras coisas este valor viola claramente as regras impostas pela zona Euro que impõe um limite de 3% no défice dos países membros.

Este défice pertence a todos os portugueses (incluindo aqueles que ainda não nasceram) e terá que ser pago mais tarde ou mais cedo - a que há que acrescentar juros.

Os Governos (não só de Portugal, mas de outros países como os EUA) arranjarão sempre uma desculpa - perdão, "razão" - para justificar valores de défice exorbitantes, alegando - como sempre - o interesse nacional e o bem comum.

Vale a pena ou não referendar este modelo de governação?

Menos Governo, Melhor Governo!

Referências

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O Problema Dos Investimentos Públicos

Especialmente em alturas de crise (e também de eleições), os governos tendem a aumentar os investimentos públicos. Os argumentos são que se criam postos de trabalho e que se estimula o consumo. Se isto fosse verdade, os países poderiam gerar crescimento económico simplesmente se os governos pagassem aos seus cidadãos para construir pirâmides ou então escavar e tapar buracos!

A falácia Keynesiana de que em tempos de crise os governos devem aumentar o investimento público prende-se com ver apenas o visível e os efeitos a curto prazo num grupo pequeno, ignorando o invisível e os efeitos a longo prazo em toda a população - como dizia o Harry Hazlitt.

Os investimentos públicos resultam em obras visíveis: uma ponte, uma auto-estrada, um aeroporto... e criam-se empregos visíveis para a sua construção. O que não se vê, são todos os outros investimentos que deixam de ser feitos, e todos os empregos que não são criados, porque o dinheiro é desviado de uma forma forçada para investimentos de rentabilidade e utilidade questionável.

Há que salientar que o nome 'investimento público' é mal aplicado, uma vez que todo o seu financiamento vem de rendimentos retirados (ou usando o termo mais politicamente correcto - colectados) aos cidadãos privados.

As razões contra os investimentos públicos são então as seguintes:
  • Em primeiro lugar, o dinheiro não pode ser criado a partir do nada! Os governos apenas se podem financiar por 1) criação de dívida pública, que terá que ser paga mais tarde ou mais cedo e com juros pelos cidadãos existentes ou futuros; 2) emitindo mais moeda, que na prática reduz a riqueza de todos os cidadães através da desvalorização do dinheiro - esta é a forma mais subversiva de taxação; 3) impostos, que é uma forma de se apoderar de uma parte do rendimento legítimo gerado por cidadãos e empresas através do seu trabalho, risco e empreendedorismo.
  • Os governos nunca têm maneira de te validar e testar a utilidade e rentabilidade do investimento. Até podem construir pirâmides no deserto alegando que aumenta o turismo. Estudos existem para todos os gostos e feitios, e podem facilmente ser encomendados, dado o conflito de interesses entre quem contrata os estudos, e quem os providencia. Quando os investimentos são feitos pelo sector privado, estes têm a maior das preocupações em que o investimento faça sentido e seja rentável. O mercado, e o seu profit & loss, será o último teste de validação da utilidade e rentabilidade do investimento.
  • Existem pressões constantes de pequenos grupos de interesse (os lobbies) de natureza económica, política, regional e local que lutam por uma 'fatia do bolo'. Os governos são constituídos por pessoas, que sendo seres humanos, são sensíveis e cedem a este género de pressões, sob a ameaça de serem marginalizados ou perderem capital político (já para não falar quando existem interesses financeiros ou trocas de favores envolvidos).
  • Ao forçar a alocação de recursos humanos, equipamento, capital, terrenos, etc., estes deixam de estar disponíveis para outros projectos, que se liderados pela iniciativa privada, seriam geridos com o maior cuidado e maior preocupação de eficiência.
O facto de se assumir que os governos estão numa posição melhor para gerir o dinheiro dos cidadãos de que os próprios cidadãos - que são eles que trabalham para gerar riqueza e rendimento - é um mistério para mim.

A Lei de Parkinson dita que ao longo do tempo, os governos tenderão a gastar sempre mais e mais. Ao mesmo tempo serão precisas mais pessoas para gerir e fiscalizar os concursos e investimentos públicos.

E que tal, se em vez de se retirar dinheiro aos cidadãos e investi-lo em obras sobre as quais os cidadãos não têm voto, deixar que o dinheiro fique nas mãos dos cidadãos e que estes decidam a melhor forma de aplicar os seus rendimentos?

segunda-feira, 23 de março de 2009

Mitos E Verdades Sobre a Inflacção

“Através de um processo de inflacção contínua, o governo pode confiscar de uma maneira secreta e sem ser observado, uma parte importante da riqueza dos seus cidadãos.”

Quem disse essa frase, foi nem mais nem menos do que John Maynard Keynes, esse famoso economista, defensor de um governo intervencionista e que hoje é adoptado de maneira religiosa por quase todos os governos.

A inflação é sentida pelos cidadãos como uma perda do valor do dinheiro, que se traduz num menor poder de compra. Existem vários mitos sobre a inflacção, nomeadamente:
  • A inflacção resulta do crescimento económico
  • Um valor pequeno de inflacção é saudável!
  • A deflação é má (como se o ganho de poder de compra correspondente alguma vez pudesse ser mau!)
A inflacção tem vários aspectos muito negativos:
  • retira valor a todos os rendimentos e activos denominados em moeda, tais como salários, pensões, rendas e contas bancárias. 1000 euros com uma inflacção anual de 3% valem apenas 744 euros ao fim de 10 anos!
  • desencoraja a poupança e estimula o investimento especulativo em vários tipos de activos de risco de maneira para preservar o valor dos bens adquiridos (por exemplo: investimentos em imobiliário e bolsa).
  • distorce o cálculo da rentabilidade dos investimentos, que passam a ter que contar com um efeito de inflacção variável.

Os governos têm muito a ganhar com um valor de ‘inflacção real’ alto:
  • Os governos emitem moeda para financiar os seus programas e os seus défices (mais tarde veremos que é o aumento da moeda em circulação que causa a inflacção). A propósito – de onde vêm os anunciados 5 mil milhões de euros da união europeia [1]?
  • Como os governos são geralmente deficitários, quanto maior a inflacção, menor o valor real da dívida (1000 euros de dívida contraída há 10 anos valem bem menos do que 1000 euros hoje).
Ao mesmo tempo, os governos têm todo o interesse em que o valor da ‘inflacção oficial’ seja o mais baixo possível, porque:
  • O estado têm compromissos que são afectados pelo valor da inflacção, designadamente pensões e salários.
  • Valores baixos de inflacção são politicamente desejáveis.
  • O valor do PIB (Produto Interno Bruto) real é corrigido pela inflacção, pelo que quanto menor for a inflacção, maior será o PIB real. Um PIB alto, é também politicamente desejável.

O exemplo de maior distorção no cálculo e comunicação oficial da inflacção e do PIB vem dos Estados Unidos. A distorção tem vindo a crescer tanto nas sucessivas administrações que os únicos valores aproximadamente reais só podem ser encontradas através de uma organização não governamental, a Shadow Stats.

Para se ter uma ideia dos efeitos devastadores da inflacção, uma onça de ouro que foi definido como valendo 35 dólares no acordo de Bretton Woods em 1944, vale hoje mais de 900 dólares! Isto é que é desvalorização da moeda!!!

A definição da escola austríaca da inflacção é o aumento da moeda circulação. O dinheiro é ele próprio um bem sujeito à lei da oferta e da procura cujo preço é a taxa de juro. Logo, havendo mais dinheiro em circulação o seu valor será menor. Se o governo duplicasse o total de moeda em circulação, os preços iriam tender para o dobro!

Que outra razão existe para os preços aumentarem? Numa economia saudável, a produtividade tende a aumentar e logo os preços seriam reduzidos, que é o que se verifica por exemplo com os computadores e telemóveis. Ainda que o preço de um bem invidualmente aumentasse, como o rendimento disponível seria constante, a sua procura seria reduzida e em termos agregados não se verificaria um aumento dos preços, logo não haveria inflacção.

Existe ainda um outro problema com o aumento da masssa monetária. É que este aumento não se faz de forma homogénea por todos os agentes económicos. Quem tende a beneficiar da inflacção são os agentes onde o dinheiro chega primeiro, geralmente os bancos e as grandes empresas. Quem sofre mais com a inflacção são as classes médias e baixas, que sentem os efeitos da inflação primeiro sem um aumento dos seus rendimentos.

Acerca da inflacção, recomendo também o capítulo 'Inflation' do Crash Course de Chris Martenson.

[1] Sócrates considera justa a repartição dos 5 mil milhões entre os 27 (Jornal OJE, 20/Março/2009)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Como O Governo Dos EUA Causou A Crise E Como A Está A Tornar Pior

Quando os governos se querem sobrepor às forças do mercado livre acabam por causar todo o género de distorções.

Os governos insistem que sabem melhor do que toda a sua população o que é que é melhor para todos os cidadãos.

As políticas monetárias juntamente com os incentivos e desincentivos apropriados criam os ciclos económicos, em que as bolhas especulativas acabam por sempre por implodir.

O vídeo referido abaixo é uma excelente exposição de Peter Schiff no Von Mises Institute sobre as razões da actual crise financeira e porque é que as políticas económicas do presidente Barack Obama apenas vão servir para prolongar e aprofundar a crise.

Link para o vídeo (em inglês, com 1:16h de duração) : http://blog.mises.org/archives/009620.asp

Peter Schiff é um dos seguidores das teorias da escola austríaca e foi uma das pessoas que previu a crise actual com uma excelente precisão.

terça-feira, 17 de março de 2009

O Grande Mito De Que Vivemos Num Mundo Capitalista

Os governos e os media anunciam alto e bom som que a crise actual prova o fracasso do capitalismo. Eles assumem que temos vivido num ambiente de mercado livre. Tal não poderia estar mais longe da verdade.

Todos os governos dos países ditos desenvolvidos assumem um estado inflaccionário, expansionário, regulador e altamente intervencionista. A começar pelos bancos centrais, que têm o poder- para sustentarem as práticas inflaccionários e expansionários dos governos - de fixar as taxas de juro e de criar moeda a partir do nada.

Num ambiente de verdadeiro capitalismo, onde a liberdade individual é realmente protegida, o estado não teria a capacidade de fixar as taxas de juro ou de criar moeda a partir do ar, o estado reduziria a sua despesa, reduziria as suas àreas de intervenção e reduziria os impostos. Num verdadeiro ambiente de capitalismo e liberdade, a regulação seria diminuida, os subsídios e incentivos que favorecem pequenos grupos de interesse seriam eliminados, acabar-se-iam com medidas proteccionistas e com o salvamento de empresas ineficientes ou mal geridas.

O verdadeiro fracasso desta crise não resulta do capitalismo, mas sim do intervencionismo e de políticas governamentais erradas. Pior, todas as soluções que são apresentadas para resolver a crise apontam para mais intervencionsimo, mais despesismo e mais regulação!

Se a história nos ensina alguma coisa é de que nós não aprendemos nada com ela e estamos condenados a repeti-la vezes sem conta.

Existe um livro escrito por um congressista Norte Americano, Ron Paul, que recomendo vivamente: 'Pillars Of Prosperity'. Este livro fala de como o governo dos Estados Unidos se tem sistematicamente desviado e até violado a constituição americana em detrimento da liberdade dos seus cidadãos. Curiosamente, é nos Estados Unidos, bandeira do capitalismo, onde existe menos liberdade individual, e onde os direitos humanos e dos cidadãos são ultrapassados em nome da Segurança e Interesse Nacional. A dívida do Estados Unidos encontra-se perto dos 11 triliões de dólares. Em termos de políticas económicas, Barack Obama tem seguido as políticas de George W. Bush, mas num grau maior, pelo que os efeitos a médio, longo prazo serão piores do que a crise actual.

domingo, 15 de março de 2009

Dinheiro Criado A Partir De Dívida

Apesar da sua importância, o significado e a forma de criação do dinheiro é pouco explicada e debatida. Para uma explicação histórica e mais detalhada recomendo o capítulo 5 - Money Changes Everything - do livro 'Economics For Real People' de Gene Callahan.

Na maior parte dos países desenvolvidos existe um sistema monetário constituído por um banco central e uma série de bancos comerciais que operam sobre um sistema de reservas fraccionais (em inglês Factional-Reserve Banking). Isto quer dizer que um banco apenas precisa de reter uma parte (fracção) mínima de depósitos determinada pelo banco central. Por exemplo, um banco com 1.000 euros em depósitos, se a reserva mínima for 10%, pode emprestar 900 desses euros. Estes 900 euros por sua vez podem ser depositados noutra instituição bancária, que pode voltar a emprestar dinheiro, desta vez 810 euros, retendo 10% (90 euros). Estes 810 euros podem por sua vez ser depositados noutra instituição bancária, e assim sucessivamente...

Isto é, os 1.000 euros depositados inicialmente, podem dar origem a 9.000 euros.
Neste caso, criam-se pelos bancos comerciais 9 vezes o montante em depósitos inicial!

De notar, que este processo só é possível com a concessão de crédito por parte da instituição bancária, e pelo endividamento por parte de quem faz o empréstimo. Crédito e dívida é a mesma coisa, apenas vista de perspectivas diferentes. Por isso, quando os governos e nomeadamente o Barack Obama dizem que a saída da crise é feita através do crédito, estão a dizer que saída da crise é feita por via dívida.

Pode-se colocar a questão, de onde são provenientes os 1.000 euros iniciais. A resposta, é também supreendente. Estes 1.000 euros são emitidos pelos governos sobre a forma de títulos de tesouro, que correspondem a dívida do estado com pagamento de juros!!!

Este sistema de criação de dinheiro tem várias ramificações. Eu próprio não estava consciente delas até ver recentemente o vídeo 'Money As Debt' que recomendo vivamente. Essencialmente, este sistema é insustentável, e só pode ser suportado por um crescimento progressivo da dívida e um crescimento exponencial do crescimento económico. Este é um vídeo que eu recomendo vivamente.

A propósito deste tema, recomendo também os seguintes capítulos do muito interessante 'Crash Course' do Chris Martenson:

sexta-feira, 13 de março de 2009

Despesa Pública Perto de 50% do PIB

A despesa pública total encontra-se em valores recorde, tanto em valor absoluto como em valor relativo (em percentagem do PIB) [1][2][3].

A despesa pública representa o peso do estado, que tem revelado uma tendência crescente ao longo do tempo (ver 'Parkinson Law'). Em 1973, a despesa pública total correspondia a 19,9% e em 2008 correspondia a 47,8% [1][4]! Em 2009, com o decréscimo esperado do PIB e o aumento dos encargos sociais e investimento públicos, o valor é bem capaz de exceder os 50%.

Gostaria de citar o texto Miguel Lebre de Freitas [5] que resume bem o problema da despesa pública: "É sabido que em Portugal há grandes desperdícios na utilização dos recursos públicos. Nomeadamente, devido ao excesso de burocracia e a sistemas de incentivos perversos, que resultam em despesas sem retorno e em baixa produtividade."

De salientar ainda, que toda a despesa pública é financiada pelos contribuintes. E aproximando-se de 50% do PIB isto significa que é equivalente a meio ano de toda a riqueza produzida no país.

É possível observar a constituição da despesa pública em 2007 na figura abaixo [3]. Os maiores factores que contribuiem para a despesa pública são os benefícios sociais (42%) e as despesas com pessoal (28%).


Referências:
[1] Orçamento do Estado para 2008
[2] Orçamento do Estado para 2009
[3] Eurostat - Government Finance Statistics
[4] O Melhor Governo É O Que Menos Governa, Diário de Notícias, 19-Julho-2005
[5] O Monstro, Miguel Lebre de Freitas, Semanário Económico, 14-Maio-2004

sexta-feira, 6 de março de 2009

Banco Central Europeu Baixa Taxas de Juro

O Banco Central Europeu anunciou ontém (05 de Março de 2009) a descida da taxas de juro para 1,5%. Isto é bom ou mau?

Aparentemente esta notícia é boa, mas já dizia o livro 'Economics In One Lesson' de Henry Hazlitt que a verdadeira ciência e sabedoria da Economia consiste em não só perceber os efeitos a curto prazo de uma medida num grupo pequeno da população, mas sim em entender os efeitos a longo prazo para toda a população.

De uma forma geral é aceite que a crise económica e financeira actual foi causada pelo crédito barato, que desencadeou todo o género de excessos (endividamento, alavancagem, riscos) e que levou à criação e rebentamento da bolha imobiliária norte americana. Se na realidade, essa é a origem do problema, vai-se agora tentar resolver o mesmo problema com uma dose maior da causa!

À luz da teoria da Escola Austríaca estamos a viver um período de "price discovery" que é dominado pela incerteza, incerteza essa que leva à estagnação da economia. Para os preços se ajustarem aos seus valores reais é preciso deixar que a recessão siga o seu curso normal. Uma vez os preços ajustados, os agentes económicos poderão tomar decisões baseados em informações precisas.

O dinheiro é ele próprio um bem sujeito à lei da oferta e procura. O preço do dinheiro é determinado pela taxa de juro. O governo ao interferir na fixação da taxa de juro e na quantidade de moeda em circulação distorce completamente o mercado.

Esta medida - popular bem certo, que é tão do agrado dos governos - aparentemente beneficia as empresas e indivíduos (que têm crédito mais barato).

Vejamos no entanto a verdadeira profundidade e extensão desta medida:
  • O endividamento será estimulado e a poupança desencorajada devido à taxa de juro artificalmente baixa. A poupança representa riqueza que foi gerada, mas cujo troca (consumo) foi adiada para o futuro em troca de uma remuneração (taxa de juro). São as poupanças que são aplicadas em "capital goods" que servem para aumentar a capacidade de produção no futuro.
  • Serão feitos maus investimentos e os bons serão prejudicados. Há projectos que só são viáveis devido às taxas de juro artificialmente baixas. Empréstimos e projectos que hoje seriam viáveis (por exemplo: compra de casa), havendo um aumento da taxa de juro mais tarde deixarão de o ser. Estes maus investimentos irão competir por recursos (que são limitados e escassos) com os bons investimentos. Isto leva a que os bons investimentos tenham de dispender mais capital para assegurar os recursos que precisam, e entretanto, há recursos mal aplicados em maus investimentos.
  • A inflacção irá aumentar. Uma vez que se pode fixar o preço ou a quantidade de dinheiro mas não as duas, o banco central europeu terá que injectar quantidades maciças de dinheiro para suportar a taxa de juro tão baixa, o que irá causar um aumento da inflacção. Esta medida retira valor a todas as pessoas que têm bens e serviços (por exemplo: contas bancárias e salários) cotados em euros, que ficam efectivamente mais pobres.
Veja-se o caso do Japão, que está em recessão/"stagflation" desde 1989 e que tem taxas de juro virtualmente zero há mais de uma década. As taxas de juro zero não serviram para ajudar o Japão. Porque é que se acredita que vão servir para ajudar os Estados Unidos e a Europa?

Qual é a solução?

De acordo com a Escola Austríaca:
  1. Deve se permitir à recessão seguir o seu curso normal e os preços ajustarem. Os governos com as suas intervenções sucessivas só vão conseguir tornar o problema mais longo, mais profundo, e empobrecer os seus cidadãos no processo.
  2. Os governos não devem ter o poder de influenciar quer a taxa de juro, quer a quantidade de moeda em circulação. A taxa de juro deve fluir livremente de acordo com as leis da oferta e procura, entre os depositantes, instituições de crédito e credores.
  3. As moedas devem deixar de ser "dinheiro de faz-de-conta" e devem ter uma equivalência directa em ouro ou prata. As notas em circulação apenas têm valor porque os governos assim o legislam. Hoje em dia nada impede os governos (através dos bancos centrais) de emitirem tanta moeda quanto o desejarem - basta ligar a impressora!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Genial - O Dia Da Libertação Dos Impostos!

Podem marcar no vosso calendário o dia 19 de Maio como o dia em que os trabalhadores deixam de trabalhar para o estado e começam a trabalhar para si próprios.[1]

Todos os anos, a Universidade Nova de Lisboa publica um relatório que essencialmente indica o número médio de dias que um português trabalha para financiar o estado. Em 2008, esse número era de 139 dias (mais um dia que em 2007) e significa que até 19 de Maio o trabalho servia exclusivamente para pagar impostos, e o restante do ano era efectivamente rendimento para o trabalhador [1].



Não consegui obter a data para este ano (2009), mas assumo que seja a mesma data do ano passado, embora o mais provável, é que dada a tendência crescente, essa data seja posterior.

O relatório contém também um gráfico interessante em que compara o número de dias que é preciso trabalhar nos vários países para fazer face aos encargos fiscais. Curiosamente, Portugal até e dos países em que o número de dias é menor.



O relatório [1] contém ainda gráficos que desdobram o número de dias trabalhados de acordo com o tipo de imposto. Aconselho vivamente a sua leitura!

Referências:
[1] Dia Da Libertação Dos Impostos 2008 da Universidade Nova de Lisboa

quarta-feira, 4 de março de 2009

Estado Emprega 900 Mil Pessoas

Segundo o semanário Expresso de 14 de Fevereiro de 2009, "entre Administração Central, autarquias, regiões autónomas e empresas tuteladas, são cerca de 900 mil pessoas que trabalham na esfera pública" [1].

Em Portugal existem cerca de 10.631.100 habitantes das quais 5.613.900 são população activa, o que corresponde a cerca de metade (~53%) [2]. Dentro da população activa, os funcionários do estado equivalem a cerca de 17%, que é o mesmo que dizer que 1 em 6 pessoas dos portugueses que trabalham está a trabalhar para o estado.


Convém referir que estado não cria riqueza, apenas potencia a criação dela! O Estado também não tem nenhum incentivo para ser eficiente, uma vez que os cidadãos sempre pagarão a "conta" ao contrário de uma empresa que se tem de esforçar para se manter competitiva. A lei de Parkinson dita que as estruturas organizacionais tenderão sempre para aumentar na vertical e na horizontal porque: 1. Todas as pessoas querem aumentar o seu poder e influência, através do controlo de um maior número de pessoas e de orçamento e 2. As pessoas criam trabalho umas para as outras.

É importante salientar que todo o financiamento do estado vem exclusivamente dos contribuintes.

Um facto positivo que deve ser mencionado foi o anúncio do actual governo em ter reduzido o número de funcionários em 52 mil desde que tomou posse em 2005 [4]. Tal redução não se parece traduzir no entanto numa redução das despesas com pessoal que revela uma tendência crescente ao longo do tempo como se pode verificar na seguinte figura com dados obtidos a partir do Banco de Portugal [3].


Referências:
[1] Primeira página de Economia do Semanário Expresso de 14 de Fevereiro de 2009
[2] Boletim Estatístico do Banco de Portugal (secção H)
[3] Boletim Estatístico do Banco de Portugal (secção E)
[4] IOL Diário - Governo reduz 52 mil funcionários públicos

segunda-feira, 2 de março de 2009

Dívida Directa Do Estado Atinge Valor Recorde

A dívida directa do estado português cresceu de 63% do PIB em 2004 para 72% do PIB em 2008.

Segundo dados oficiais do Banco de Portugal [1], [2] a dívida directa do Estado (em moeda da zona euro e fora da zona euro) no final de 2008 era de 118.890 milhões de euros, o que dá aproximadamente 11.183 euros a cada habitante e representa cerca de 72% do PIB.

Seguramente que com as medidas de combate à crise, juntamente com as grandes obras anunciadas do comboio de alta velocidade (TGV) estimado em 7.100 milhões de euros [3] e do novo aeroporto de Lisboa estimado em 3.100 milhões de euros [4] a dívida irá agravar-se significativamente.

Esta dívida, além de reprensentar encargos financeiros que terão de ser pagos com parte da receita fiscal, representa ainda um passivo que terá que ser liquidado por governos e gerações futuras.

Numa altura em que se fala de rigor e equilíbrio orçamental para indivíduos e empresas, o estado dá um péssimo exemplo em prejuízo dos seus cidadãos. De salientar ainda a tendência crescente dos governos, independentemente do seu partido e ideologia, de aumentar constantemente a dívida.

Sigam por favor estes links para terem acesso a informação mais detalhada e também a a outras opiniões :
Referências:
[1] Boletim Estatístico do Banco de Portugal (secção E)
[2] Boletim Estatístico do Banco de Portugal (secção H)
[3] Diário de Notícias - Aeroporto No Sul Poupa 3 Mil Milhões
[4] Sindefer - TGV Estudo da CIP dispara custos em 1700 milhões

Como Os Governos Se Financiam

Os governos gostam de anunciar com pompa e circunstância todo o género de novos programas, incentivos, subsídios e obras públicas. Obviamente que tudo isto seria positivo se pudesse ser feito sem prejuízo dos cidadãos, especialmente dos contribuintes. É preciso ter a noção clara que cada euro que é gasto pelo Governo é um euro que é retirado aos seus cidadãos. A situação é tão mais grave pelo facto do governo ser por definição uma instituição que não gera riqueza e sem preocupações de eficiência uma vez que se trata apenas de um "centro de custo" pago pelos contribuintes.

Resumidamente, os governos têm apenas três maneiras de se financiarem:

  1. Impostos - directos e indirectos, tais como IRS, IRC, IVA, IA, Imposto Sobre Combustíveis, etc. Aqui trata-se claramente de retirar (de uma forma politicamente mais correcta - colectar) riqueza que foi produzida por indivíduos ou empresas com o seu trabalho, esforço e risco.
  2. Dívida Pública - essencialmente uma forma do governo dizer que se financia através de impostos futuros, criando um passivo que terá que ser liquidado por governos e gerações futuras. Além disso, o governo passa a assumir um encargo financeiro sobre a forma de juros.
  3. Emissão de Moeda - agora com o banco central europeu será mais difícil, mas no entanto é possível que seja feito centralmente. A emissão de moeda por si não gera riqueza nenhuma - zero! O que a emissão de moeda faz é desvalorizar o dinheiro existente sobre todas as suas formas (contas bancárias, salários, ...) e reflecte-se na forma de um aumento do índice de preços. Esta é aforma mais invisível e subversiva dos governos se financiarem através do empobrecimento da população em geral, mas sem ter que recorrer às medidas impopulares de aumento de impostos.
Em suma, os governos apenas se conseguem financiar através do desvido de parte da riqueza produzida pelos seus cidadãos.

Dada a carga fiscal actual, hoje em dia, um português médio trabalha 4 a 6 meses por ano apenas para financiar o Governo.

Leitura Recomendada

Os seguintes livros são altamente recomendados para perceber o espírito e a natureza deste blog. Estes livros assentam sobre a teoria económica da Escola Austríaca fundada por Carl Menger em 1870 e fornecem uma nova visão sobre a economia e sobre as ramificações dos impactos das políticas governamentais. Estranhamente, nas escolas e universidades, as ideias de Keynes são apresentadas como um dogma, e nem sequer se faz referência a teorias alternativas. Os livros abaixo, além de leitura muito interessante, têm um retorno várias vezes superior ao tempo investido na sua leitura. Infelizmente, não sei se estes livros estão disponíveis em versão portuguesa.

  1. Economics in One Lesson de Henry Hazlitt (link para a Amazon) - simplesmente o melhor livro sobre Economia de sempre, que fala sobre os efeitos visíveis e invisíveis das políticas económicas, e ensina a ver além do efeito imediato num grupo pequeno da população para observar o efeito a longo prazo em toda a população
  2. Economics for Real People de Gene Callahan (link para a Amazon) - este livro está muito bem escrito, é muito divertido e muito aliciante, e explica todos os conceitos básicos de economia à luz da Teoria da Escola Austríaca.
  3. Meltdown: A Free-Market Look at Why the Stock Market Collapsed, the Economy Tanked, and Government Bailouts Will Make Things Worse de Thomas Woods (link para a Amazon) - simplesmente o melhor livro que explica como é que surgiu a crise actual, qual é de facto o problema da crise actual, porque razão as medidas tomadas pelos governos apenas servem para prolongar e aprofundar a crise, e qual a solução para sair da crise.